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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Piano Hipócrita do BLOG Pai Coruja


Posted: 27 Feb 2011 03:31 PM PST
“As belas notas musicais da sua vida nunca bastarão se soarem apenas por um curto prazo.”
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Permita-me deixar bem claro uma coisa: não sou de passar ninguém pra trás, nem faço negócios fraudulentos, muito menos repasso ‘abacaxis com casca’ pro meu próximo. Isto está claríssimo como sol de verão na praia? Então estou em paz. Porque na última semana passei um daqueles momentos que dá vontade de sumir na toca do tatu. Não sabia onde enterrar a cara! É que nos mudamos para um lugar charmosamente menor e precisamos vender algumas coisas – incluindo nosso impecável piano preto esmaltado. Foi uma estocada na alma repassá-lo a outros, mas não houve alternativa. Anunciei por R$ 5500,00 – preço justo por um Essenfelder com som de arcanjos em perfeitíssimo estado. Dois meses depois, e sob um ataque fulminante de desgosto, sabe por quanto ele foi vendido? R$ 1200,00 mais um McLanche Feliz de brinde! Calma, não sou nenhuma Madre Tereza dos negócios, você vai entender!
É que um especialista veio chancelar a categoria de meu amado instrumento e, depois de umas batidas na madeira, ele soltou a granada que estilhaçou minha paz: “Senhor, este piano está carcomido de cupins, e mais de 40% da madeira está comprometida. Só pra reformá-lo dará um trabalhão danado! Sinto muito, tem partes ocas que caberiam a mão inteira de um homem…” Eu sabia que vira-e-mexe um pozinho de serragem caía no chão, mas jamais imaginaria que os “demônios devoradores de madeiras nobres” já estavam construindo uma Manhattan inteira lá dentro – e há mais de 4 anos! Revoltado, aceitei a proposta ultrajante do técnico que ainda profetizou: “de uma hora pra outra, este piano simplesmente ruiria sob seus dedos – cupim é uma praga desgraçada!”
“Mas, e os sons angelicais sob a pintura negra espelhada feita o Lago dos Cines?”, não me conformava naquela noite de insônia com minha esposa. Ele foi nosso hobby por tantos anos, sem contar que tocar piano, pra nós, sempre foi um fetiche romântico (nós nos conhecemos, e nos apaixonamos, tocando muitas vezes juntos em eventos do colégio). E agora, literalmente, estávamos com um Cavalo de Tróia Musical abarrotado de um exército roedor dentro. Frustrante! Rendido, e pela primeira vez na vida, detectei a hipocrisia de uma obra de arte com 88 teclas.
Sabe o que é hipócrita? Segundo o Wikcionário, quer dizer: “fingido, que não age de acordo com as idéias que demonstra ter”. Mas, pare aí! Se você está gastando seu precioso tempo vasculhando alguém pra apontar, baixe já este dedo e ponha sua mão na consciência. Até que ponto não agimos igual meu ‘falecido’ piano? Já viu carro alegórico na Sapucaí? É uma explosão visual de luzes, cores e brilhos – mas, na verdade, é feito de isopor, celofane e pena de pavão. E o glamour de uma vitrine chique na parisiense Champs-Élysées? Se faltar a solidez estrutural no madeiramento de seus porões ninguém vê. E o caçula fingindo “ser peludo como ovelha”, enganando o pai cego, só pra roubar a primogenitura do irmão? (Está em Gênesis 27!) Conosco é a mesma coisa: falamos, impressionamos e flertamos – como melodia sedutora aos ouvidos conquistados – mas se a madeira estiver bichada, cedo ou tarde, a música sumirá, inesperadamente.
Um dia, Jesus também cruzou com um piano – de tronco, ramos, raízes e um Dilúvio de folhas radiantes. Seu brilho esverdeado refletia os raios do Sol feito um farol no parque. Era uma figueira que atraía qualquer um com seu encanto de sereia. Cristo chegou até ela e, não sendo o primeiro nem único naquele entardecer, procurou a confirmação da sua majestosa performance: os frutos. Mas não havia um sequer! Aquela árvore cinematográfica não tinha nem bolotinhas mirradas, muito menos figos suculentos. O olhar divino penetrou da ponta subterrânea da raiz atravessando até a folha mais cintilante do topo. Ele não fez nada, só deixou-se revelar como o Maior especialista em pianos do Universo. Uma noite entrou no meio. Ao amanhecer, pro susto geral do fã-clube dela, a figueira secou parecendo ter passado a noite num micro-ondas na potência máxima. Era só pele e osso, ou melhor, madeira seca e galhos retorcidos. Injustiça divina? Pense bem! Cristo não amaldiçoou a figueira, apenas revelou que ela já estava amaldiçoada. Parece duro, eu sei, mas na verdade Ele não fez nada que ela não tivesse dentro de si mesma: aridez, desnutrição, esterilidade e contradição. Só que o denso cobertor de folhagens por fora distraía todos da percepção do vazio que imperava dentro. Ou seja, o problema da figueira nunca foi não ter frutos, mas sim, ter folhas demais. Por isso elas sumiram (Marcos 11).
Meu piano soava lindo quando meus dedos dançavam sobre o teclado preto-e-branco, mas não duraria muito. E quer saber? As belas notas musicais da sua vida nunca bastarão se soarem apenas por um curto prazo. Tocar muito não garante tocar sempre – e, ao menos eu, fui feito mais pro sempre do que pro muito. Agora, já percebeu como a artimanha do parecer, e não ser, provoca a obsessão pelo ter? Por aí afora, ostentar um inebriante colar de diamantes é muito mais sedutor do que cultivar um caráter brilhante. Não se renda à ilusão das posses materiais, pois a maior de todas elas não se compra, se conquista: coerência.
Preparado pro pior ainda? O mais grave não é quem finge, mas quem nem sabe que está fingindo. Outro dia me lasquei tentando ser o mega-pai. Cheguei em casa cansado, não tinha almoçado, estava irritado com as irritações de uns irritantes, a chuva gelada lambeu meu cangote, quase caí numa poça ao sair do carro e, finalmente, passei pela porta travestido de simpatia fútil: “Oi, filhinha linda do papai!” Ela me olhou intrigantemente e, com a mesma rapidez que virou seu corpinho na minha direção, desvirou-o na direção da mãe, escondendo-se por entre suas pernas maternas. “Amor, isso soa falso! E criança saca na hora!”, a onisciência feminina me surpreendeu. É verdade! Fiz papel de tolo achando que estava abafando. Por outro lado, já viu como uma pessoinha de 2 anos é assustadoramente sincera? Ela pode ter uma constelação de defeitos-mirins, mas ser fingida é impossível. Não sabe “fazer social”, não entende de “fazer lobby”, nem disfarça sob regras de etiqueta. O que ela é – é o que é! – ponto final. (Imagina meu chefe simpático levando dela um “nããão!” com uma “coiçada” de cara daquelas!) Daí você entende por que o Mestre colocou um garotinho no Seu colo, ignorando uma gangue inteira de PhDs e MBAs, condecorando-o como Personalidade do Ano? Ainda profetizou: “a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus” (Mateus 18:3).
Uau! Pianos, figueiras, Jardins da Infância e carros Abre-Alas têm muito a nos ensinar. Hipocrisia não é ter, ou não, cupins – mas seguir se exibindo normalmente sem avaliar a consistência da madeira. Faça um check-up com o Especialista Divino. Não tema as batidinhas reveladoras lhe mostrando o diagnóstico. Preferirei sofrer um pouco descobrindo agora do que me iludir até desabar feito sepulcro caiado (Mateus 23:27). Pesado? Talvez não, pois ainda há a esperança chegando de carona na oportunidade. Todos, em algum momento, e sem exceção, já provocaram o galo cantar três vezes (Mateus 26:75). Mas a verdadeira melodia do perdão soa pra todos após o domingo da ressurreição. Por isso, o Pedro dissimulado daquela noite, nem de longe foi o mesmo Pedro crucificado de cabeça pra baixo – sua coerência reconquistada não admitiu mais “parecer algo” nem na hora do seu martírio. E suas notas musicais soarão por um longo prazo.
E você? Lembre-se que sua vida é um instrumento musical feito artesanalmente pelas mãos do Criador. É uma peça rara soando acordes a todos que passam por você. Que tal pedir a Deus pra reformar seu interior? Não digo a casca exterior que uma boa maquiagem, ou um elegante nó de gravata, disfarçam – mas, aquele núcleo existencial que sustenta firmemente seu caráter. Ele consegue consertar tudo. O cinzel divino pode raspar o que não condiz lá dentro deixando-o consistente tanto por fora quanto no coração. Então você poderá fazer música tranquilamente, afinadamente e… por um bom tempo!
Bravo!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Rainha - do Blog Pai Coruja.Eu

Posted: 16 Feb 2011 12:40 PM PST
“Acredito que não exista sequer uma mulher na face da Terra sem o desígnio da superação”
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Mulher faz de tudo um pouco. E nem por pouco deixa de dar conta de tudo! Hoje eu entendo melhor porque no xadrez o “rei” pode até valer o jogo, mas só anda uma casa de cada vez. Já a “rainha” tem mais força e mobilidade do que todas as outras peças juntas. Sei lá quem inventou isso, mas acertou!
Outro dia, refletia com alguém sobre “uma alguém”, e concluímos o óbvio ignorado: o sexo feminino de frágil mesmo só tem os delicados cílios que emolduram seu olhar implacável. Porque elas estão lá, e sempre ali, como discretas fortalezas em seus indecifráveis rochedos. São constituídas de fibra de carbono com a doçura do alcaçuz. Algumas embalam seus filhos, outras também ninam seus maridos. “Aquela ali é mãe de dois!”, escutei sobre outra heroína cujo filho único dividia o berço com o próprio pai mimado (vergonha pra ele, Honra ao Mérito pra ela!).
Ou você nunca parou para analisar cientificamente a força incalculável de uma rainha, dama e lady? Desfilando graciosamente sufocada dentro de seus espartilhos emocionais? Digo isso porque elas sabem o quanto aperta e, mesmo assim, superam-se à custa do bem alheio. Tem “dama de aço” pra ser o arrimo da casa, tem “dama de água” pra hidratar a aridez do cônjuge, tem “dama de chumbo” como cofre financeiro do lar, tem “dama de pétala” trazendo frescor do romantismo esquecido, e até “dama de papel passado” exigindo o mínimo de um casamento sério pro máximo de carinho dado.
Lembro-me da cena presenciada no estacionamento do supermercado, na última terça-feira: a rainha de um lar descarregava o carrinho de sacolas, enquanto tinha um bebê preso às suas costas, e alertava sua irmãzinha mais velha a não se afastar do carro. “Coisa simples!” – diria quem vê a vida correndo desatento por ela. No entanto rara – pra quem admira a tarefa cumprida de um ser polivalente.
Hoje elas decidem, lideram, administram e põem projetos pra andar nos trilhos. São duras na queda, e fofas à primeira vista – mas quer se meter a negociar com elas uma exceção à regra? Inatingíveis! Feito tulipas negras no cume do Everest. Tudo bem que a cada 28 dias o mundo fica mais instável e, depois dos 50 anos, muito mais “acalorado” – mas, também, após 9 meses, tudo é desconsiderado perante o altar da maternidade. Se seus períodos biológicos são feitos de números, seu destino de heroína anônima é composto da sua singeleza à flor da pele.
Acredito que não exista sequer uma mulher na face da Terra sem o desígnio da superação. Geralmente pro bem e, raramente, o oposto. Tanto é que se ELE larga a família por uma aventureira de curvas mais jovens, nem jornal de condomínio publica. Mas se é ELA deixando sua cria às margens do rio, instantânea notícia mundial! Porque se ELES vacilarem, elas segurarão as pontas. Agora, se ELAS recuarem, quem é que organizará a geladeira? Por sabermos disso, ainda que entalado lá no subconsciente machista, inflamos certos egos iludidos de que a força bruta vale mais que a versatilidade eficaz. Engano tolo de quem perde aliadas na guerra kamikase da vida!
Já viu como a Bíblia também reconhece esta peça fundamental do tabuleiro? Depois de ter todas do mundo a seus pés, foi uma dama que pôs Salomão na linha – ou Cantares não mostra um conquistador muito bem conquistado? E a tal Débora com seu exército digno de uma guerreira maior que Joana d´Arc? Tem também Maria – aquela jovenzinha que parecia de nada, mas aceitou dar a luz ao Tudo. Gosto de pensar na rapidez decidida de Raabe, uma prostituta de moral em baixa, mas desejo de recuperação em alta. Admiro a sogra de Pedro, acredita? Ninguém sabe seu nome, nem se lembram muito dela, mas pra auxiliar sua filha a casar com um pescador rude, de temperamento sanguíneo, e cheio de oscilações emocionais, a mulher também era uma rainha! E Ester? A beleza inebriante de sua pele não intimidou a explosão de sua coragem inédita motivando a Salvadora do Povo arriscar sua vida pela atenção inesperada do rei. Percebe? Todas foram mulheres, coroadas de admiração em seu reinado feminino.
E quando o tabuleiro do coração fica sem rei? (Porque cavalo não serve, peãonão encanta, e bispo não casa!) Surgem elas: as rainhas desacompanhadas na cama e que merecem dormir em paz consigo mesmas. Rejeito o termo “solidão” pra quem tem procurado, e não tem… sido encontrada! Se pra certos acéfalos por aí parece doença contagiosa, ser dona de seu próprio cetro real pode trazer consigo aventuras interessantes. Não digo agarrar o trabalho como tábua de salvação, nem mendigar complacência na sarjeta da auto-piedade travestida de ranzinagem. Falo de viajar, conhecer gente, curtir projetos, ser sociável e, acima de tudo, repousar seu tabuleiro no colo do Pai do Céu. Você pode escolher viver frustrada com uma escova-de-dentes só no copo, como pode descobrir intrigantes oportunidades de ter seu banheiro exclusivo. Isto depende da motivação sublime de saber que nos planos de Deus um dia, cedo ou tarde, tudo se encaixará perfeitamente. Sem contar que toda mulher é uma especialista soberana em usar a criatividade como alternativa a seu favor. Está vendo a vida passando? Passe a frente dela e trate de explorar novos horizontes ensolarados!
Enfim, ser pai de uma rainha e súdito de outra tem me ensinado muitas coisas capazes de deixar qualquer homem com seu machismo em colapso. Se uma mergulha feliz dentro da bacia, a outra corre incansável mais que na academia. Ambas me tornam minoria absoluta no planeta do nosso lar. E é incrível como adoro isso! Oscilo entre admiração e diversão, homem da casa e bobo da corte, o fortão pra trocar água do filtro e o inepto tentando trocar uma fralda às pressas. Por aí vai, elas dominando o tabuleiro inteiro, e eu valendo o jogo – mas de casa em casa. Somos felizes assim, porque Deus me fez para admirá-las: como “alguém que auxilie e corresponda” (Genesis 1:18 – NIV) Isso não é incrível? Da saudade solitária do homem Deus a fez mulher, e da versatilidade resistente divina Ele a fez rainha. Que elas prossigam incansáveis e inspiradoras. Que suas virtudes continuem admiráveis. E que a partida não acabe tão cedo. Pois neste tabuleiro as peças principais foram feitas para viverem juntas e cúmplices – sem perderem jamais.
Xeque Mate!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Redes Divorciais - do Blog Pai Coruja

Posted: 09 Feb 2011 11:58 AM PST
“Maquiar um perfil no Facebook é fácil, difícil é conviver a longo prazo com a realidade depois que a conexão cai”
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Minha filha tem 20 meses. Só 20 meses! E sabe o que ela já sabe fazer?
Resposta sem corujice: ligar a TV no controle remoto, abrir o DVD pondo o disco do lado certo e ainda dar play, não confundir com o aparelho de blu-ray ao lado, ligar seus brinquedos nos botões certos, abrir seu computador de plástico colorido apertando as teclas certas, mexer no mini-mouse (acredita?!) que faz barulhinho de ratinho, apontar o celular pra falar com os “vovôs”, agora, sabe da última? Outro dia ela pegou meu I-Phone desligado e, pra meu estarrecimento, ligou naturalmente a tela luminosa escorregando seu dedinho pra liberar o equipamento. Pasmei! Meu irmão médico não sabia como driblar este sistema de segurança e minha filha já sabe! Onde este mundo vai parar? Isto assusta você? Nossas crianças nem conhecem um peão, mas já sabem de computador com precocidade feroz. Tomada já não atrai tanto quanto nosso mundo “googleado”. Temo, qualquer dia, descobrir que ela atualizou seu perfil no Orkut pra dizer às amiguinhas que fez 2 anos!
A verdade é que sou da idade da pedra, ou melhor, do Palm Top – que era ultra moderno tempos atrás. Hoje, do NintendoDS, passando pelo Mac-I-Pad-Book-Air-Phone-4G, até o Wi-Fi, wireless, HDMI, e todos os gadgets possíveis, um imenso Tera Byte já está cabendo dentro de uma Barbie “internautizada”. O mundo mudou, acelerou e virtualizou. E nós, seres das cavernas pras novas gerações, tentamos acompanhar uma criança webmaníaca que não se encanta mais com nossas fogueiras feitas. Melhor é pôr um óculos 3D baixando do YouTube uma lareira em HD pra TV de LED. É desolador!
Mas eu quero compartilhar com você outro susto dentro deste quadro assustador. A notícia era curta e arrepiava: Facebook influencia 28 milhões de divórcios no mundo. Isso mesmo. Vasculhei vários sites pra confirmar que a informação era mesma um pesadelo – acordado! Uma pesquisa britânica detectou que mais de 20% dos processos judiciais de separação mencionaram as redes sociais da web em seus argumentos. “A razão mais apontada tem que ver com conversas sexuais inadequadas de pessoas com quem os utilizadores não as deveriam ter”, citou o jornal espanhol Expansión.
Enquanto o filme A Rede Social ganha prêmios contando a história do jovem bilionário fundador do Facebook, por debaixo do tapete disfarça-se uma verdade nua e crua: quanto mais nos modernizamos, mais ainda nos perdemos. A vanguarda da tecnologia revela o potencial da solidão. Algo que era pra ser bom reunindo virtualmente velhos amigos distanciados pela rotina real, traz consigo a verdadeira crise mundial estraçalhando famílias feitas pra serem “felizes para sempre”. Tem coisa errada, e muito errada. A Internet – que pode ser benção interligando um mundo carente de informação – escancara humanos cujos corações ilhados de afeto “pulam a cerca” virtualmente pra disfarçar o vazio de pele e osso.
A verdade é que tem gente caindo na miragem das redes sociais alienando-se do melhor da realidade. Projetamos nossos avataressonhados idealizando relações amorosas utópicas que resultam em cacos quebrados de famílias cuja cumplicidade alcançou distâncias abissais. Isso não pode – e não deve – acontecer com quem pôs uma aliança nos dedos e fez juras eternas ao coração.
E não culpe o veículo! Ninguém manda carro pra prisão – mas sim, algema o motorista bêbado que atropelou. Nem questionará a utilidade médica de uma seringa porque tem gente pondo heroína dentro. A bênção, ou maldição, de um instrumento é culpa de quem, e como, o utiliza. Acusar sites de redes sociais é como demonizar as espetaculares águas caribenhas só porque alguém se afogou lá. Prudência, equilíbrio, bom senso e muito cuidado são atribuições de quem navega, e não da web navegada. Por isso, aqui vai uma dica: encontre velhos amigos, mas fuja das velhas tentações. A fidelidade virtual exige coragem real de quem não clica antigas paixões.
O problema é tentar estar legitimamente próximo de alguém num ambiente cibernético de estereótipos. Em entrevista à rede americana ABC, a psicóloga Dorree Lynn disse que mídias sociais criam uma relação de falsa intimidade: “É muito mais fácil ir para a cama com alguém do que desenvolver um relacionamento duradouro. As redes sociais criam uma sensação de intimidade que não é genuína”. Inebriados pela ilusão sedutora, cônjuges alienam-se do amor que custa um preço largando-se à deriva em paixões gratuitas. Estou casado há 10 anos e 29 dias e sei o investimento emocional necessário para manter nossa “eterna lua-de-mel” estável. Não é fácil – mas, ô, se vale a pena! Não obstante, outros atalhos fáceis se exibem por aí prometendo fugazmente o que só a cumplicidade da convivência olho-no-olho pode ofertar.
As redes sociais estão aí pra interligar pessoas, não para puxarem-nas ao submerso da solidão. A cama real comprada em prestações – com tanto esforço – vale mais do que os lençóis de cetim virtuais cobrindo as armadilhas frustrantes do divórcio. Lembre-se: maquiar um perfil no Facebook é fácil, difícil é conviver a longo prazo com a realidade depois que a conexão cai. Pague o preço da vida a dois, e não se encante com descontos da ilusão em código binário. Seja você e valorize quem aguenta você! Afinal, seus defeitos e manias não seriam suportados por ninguém no Virtual Mundo dos Perfeitos.
“Guarda o que te foi confiado, evitando falatórios inúteis e profanos” (I Timóteo 6:20) . Ah, se Paulo vivesse em nossos tempos talvez escreveria a seu pupilo aprendiz: “evitando links inúteis e relacionamentos virtuais profanos”. Vivemos num tempo em que a comunicação extrapolou as previsões mais exageradas dos futuristas do passado. Ou ficamos espertos com o que “nos foi confiado”, ou aumentaremos ainda mais as tristes estatísticas de quem não está aproveitando a modernidade a favor da sua felicidade eterna. Enquanto minha filha liga meu I-Phone, desligue sua aproximação da tentação fugaz. Curta as redes sociais pra fazer novos-velhos-amigos, mas não jogue fora a felicidade que só você pode ter com escolhas acertadas.
E que esta felicidade seja verdadeiramente… real.